terça-feira, 10 de novembro de 2015

BELEZA PURA

eNTÃO...

Nem tenho nada a dizer...


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

PORTO SEGURO

eNTÃO...

"Meu coração, a calma de um mar que guarda tamanhos segredos de versos naufragados e sem tempo".

Nada sei explicar sobre os motivos que me remetem a esta canção. O que me é certo: acordei com ela martelando minha memória. Imaginei um veleiro disponível para o percurso que eu quisesse fazer. Só bastava adentrá-lo e decidir o sentido para qual o ar deveria se mover. Vento e embarcação respeitariam obedientemente a minha vontade. Para onde ir? Para dentro de mim mesmo?

Bom seria seguir tal itinerário convicto de encontrar no ponto de chegada a serenidade de uma alma realizada consigo mesma e a tranquilidade de uma vida sem guerras, sem despojos, sem traumas ainda por curar. Concretizar-se-ia a utopia não impossível de descobrir-se, amar-se na totalidade, e convencer-se de uma história repleta de sentido, conduzida por um poder superior não déspota, mas transbordante de respeito e boa vontade.

Ali, os segredos já não seriam mais o que são, e os mistérios, ainda não elucidados, mostrar-se-iam transparentes como é a felicidade reluzindo num olhar. A paz simplesmente reinaria e nada mais se imporia necessário. E mesmo sós, perceber-nos-íamos acompanhados do afeto de tantos amantes e amados em nossa história. Cientes da gratuidade presente nos primórdios do nosso devir, alimentar-nos-íamos da gratidão em constante e perpétua erupção dentro de nós. Erros e acertos ver-se-iam no mesmo rol das braçadas desejosas do porto seguro para o qual se partiu em viagem.

Solidão não seria solidão. E companhia não seria ter-se ao lado. Já a vida seria vida, na plenitude daquilo que é por si em Deus.

Ledores, exagerei no uso de mesóclises, né? Por favor, torçam para que um dia eu aprenda a escrever. Grande abraço.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

APENAS MAIS UMA VIAGEM

eNTÃO...

O carro quebrar pela terceira vez em dois meses foi um mal sinal. Voltar pra casa de ônibus fez-se necessário novamente. Impagável, porém, a experiência de ouvir durante tanto tempo as histórias contadas por aquele paraense tão simpático. E eu nem imaginava que ele me conhecesse. Dois teores da conversa me chamaram a atenção.

Primeiro a grande diversidade cultural existente no país. Ele falava do Pará, de Roraima e de Manaus. E eu viajava em pensamentos na ânsia insana de um dia poder conhecer todos os estados brasileiros. Dialogar com seus povos. Conhecer suas realidades. Desvelar suas riquezas. Encantar-me com seus valores. Conviver com seus limites. Aceitar as diferenças. Assustar-me com possíveis contra-valores.

Em segundo lugar, sensibilizou-me o modo corajoso como encarava a vida e sonhava com a superação dos desafios impostos àquele que acaba de chegar com esposa e filho pequeno a uma nova região, sem ter parentes, sem ter trabalho, sem ter recursos. Tocou-me a alma ouvi-lo descrever a infância, tão parecida com a minha e a forma como em todas as situações procurou servir a Deus de bom coração.

Por fim, o mais gostoso de tudo, poder dizer-lhe que as portas da Igreja estão abertas e que dependendo da disponibilidade dele, ao menos leituras nas missas vamos providenciar para que faça. Isso me lembrou de outro paraense que interrompeu meus serviços de jardineiro, em Jacarezinho, para dizer que, recém chegado ao Pará, desejava participar da comunidade.

Assim é a vida, vamos acolhendo o quanto pudermos. É tão melhor assim. Difícil compreender uma comunidade que se fecha em panelas, que absolutiza a liderança, e que sente prazer em dizer que há décadas as coisas são como são. Judas mal morrera e já os apóstolos elegeram Matias. Doze foram os primeiros, hoje existem milhares espalhados pelo mundo. Enfim, abrir portas me parece o caminho. É certo que nem sempre conseguimos dizer "sim", mas que o façamos o máximo possível.

Ledores, beijo no coração de vocês.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

IRMÃOS...

eNTÃO...

Jesus curou a filha da cananéia, e não pediu que elas se convertessem à Torah e nem que o seguissem. Curou os dez leprosos sem se preocupar quantos fossem judeus e sem atentar para o fato de um ser samaritano. Dispôs-se a ir até a casa do oficial romano, curou o servo do homem "pagão" sem exigir nada de ambos. E tudo isso me martelou a consciência no dia de ontem.

Desconfio que Jesus jamais tenha se aproximado de atitudes proselitistas. Aqueles que o seguiram o fizeram de livre e espontânea vontade. Ele não ameaçou quem o rejeitasse. Os "ais" que manifestou dirigiram-se àqueles que não praticavam de bom coração a sua própria religião. Quando o estranhamento abateu-se sobre seus seguidores, devido ao discurso do pão da vida, com segurança respeitou os que preferiram se afastar e serenamente ofereceu a mesma opção aos doze.

Somos acostumados a dizer que Jesus acolheu as minorias desprezadas de seu tempo: os pobres; as mulheres; as crianças; os doentes. E quando assim agiu, o Senhor, dando-se misericordiosamente, nada cobrou, e nem criou obstáculos ou elencou condições do tipo: "curo apenas se..." ou "liberto somente caso...". E assim foi que tratou os estrangeiros também. E quando, no tempo de Jesus, se fala em estrangeiro, imediatamente se pensa em outras experiências religiosas.

A exceção de que me lembro é apenas no encontro com a Samaritana. Buscar o marido significava decidir-se por seguir e adorar ao verdadeiro Deus. O único capaz de dar água da vida. E quem seria tal divindade? Jesus afirma ser Ele mesmo. Destarte, confesso, não nego, se Jesus é aceito como Senhor e Salvador por um homem ou uma mulher quaisquer, este alguém, ainda que não esteja ao meu lado, segue e adora ao mesmo Deus que eu. 

Este texto destoa do meu estilo, ledores? Perdão. Sou meio metamorfose ambulante. De repente, mesmo estando cem por cento presente em mim mesmo, fujo de mim. Sim, eu gostaria que todos fossem católicos, mas já seria feliz se todos fossem cristãos. Enquanto espero por isso, que ao menos, católicos ou protestantes, cristãos ou não, como pessoas, saibamos nos respeitar, acolher e solidarizar fraternalmente. Creio que isso agradaria a Deus, ver seus filhos, mesmo tão diferentes, sendo irmãos de fato.



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

SÃO FRANCISCO XAVIER

eNTÃO...



Estou ouvindo um repertório vocacional e pensando dos caminhos do Senhor. Primeiro ouvi, bem no fundo da minha consciência, a voz de Deus me chamando para o Acre. Fiquei meses discernindo. Livrando-me dos apegos e superando os medos, para finalmente dizer "sim", enfrentar o estranhamento dos amigos e familiares, e partir. E cá estou na Amazônia. 

Quando surgiu a possibilidade de ir pro Mato Grosso, não pensei se quer cinco minutos. Disse "sim". Não tive medos para superar e nem apegos de que me livrar. Esperei três meses pelo contato que sacramentasse a decisão, e o que aconteceu? Semana passada fui nomeado para um paróquia no interior do Paraná, pertinho de onde nasci e dedicada ao patrono da missões. E cá estou, na Amazônia, trabalhando na alma os receios de voltar e me preparando psicologicamente para os desafios que lá me esperam.

Há uma simplicidade muito grande nos fatos que relato. Ao mesmo tempo, no entanto, uma misteriosa ironia. No momento em que meu coração encontra-se comodamente aninhado, sou impelido a abrir as asas e a alçar um longo e distante voo. No momento em que me sinto livre para continuar pelos ares, sou direcionado a voltar pro ninho. O melhor é que, mesmo não entendendo, creio, confio e espero. Estou convicto de que aí está a vontade de Deus para minha vida.

Que mais posso dizer neste texto? Talvez o que diz a canção "quem deixa Deus ser Deus vê melhor aquilo que os olhos não podem ver". Paciência. Redescubro a cada dia o peso e alegria dos versos "aonde mandar eu irei, seu amor eu não posso ocultar". Enfim, entre tantos sonhos, realizados ou 'frustrados', vou me conscientizando que o que realmente preciso é anunciar. Muitos dons desejei, mas é este que Deus me deu "com a voz testemunhar e ensinar a este mundo como é bom" amá-lo e servi-lo.

Ah, ledores, gostaria de não precisar escrever o que vou escrever, porém pressinto ser necessário. Fiquei muito feliz com a nomeação. Grato a Deus, ao bispo, e aos padres conselheiros, que, sem saber, me confiaram justamente a paróquia com a qual meu coração flertava. Deus é bom.

Por fim, quando a vida parecer nos dar uma rasteira, cantemos para nós mesmos: "Espera no Senhor e tem coragem. O importante é caminhar!".

Bjs.

sábado, 31 de outubro de 2015

SILÊNCIO E SOLIDÃO

eNTÃO...

Confesso e não nego, essa música sempre me emociona.
Bom final de semana, ouvidores.


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

QUALQUER DIA...

eNTÃO...



Comecei esse texto há mais de mês, só agora resolvi terminá-lo e publicá-lo. Ao longo da vida, muitas pessoas passam por nossa história. E vamos aprendendo a respeitá-las, a conviver com elas: algum afeto ou desafeto se forma. Os grandes amigos, aqueles que tatuam nossa alma para a eternidade, de cuja a presença é sempre agradável, mas não indispensável para a perenidade do sentimento, sim, ledores, esses são raros. Contamos nos dedos. Todavia não são os únicos a marcar nossas lembranças. Há toda uma constelação de estrelas menores brilhando no universo do nosso coração.

Não cabe aqui a reflexão "sou uma estrela maior ou menor na vida de fulano ou de beltrano?". o que cabe é buscar em nossas memórias por aquelas pessoas que trouxeram alegria, paz, solidariedade, companhia, e afins, em algum momento da nossa existência e que mesmo tendo ido adiante ou permanecido lá atrás, são objeto de merecida gratidão e de singela saudade.

Quantas dessas pessoas gostaríamos de reencontrar para um momento de "bate papo"? Mesmo que fossem apenas alguns minutos, um aperto de mão, um sorriso, um abraço... E se fosse mais, uma pizza ou até mesmo uma porção de batata, quanta satisfação teríamos.

Claro que no tempo decorrido muito mudamos. Alguns de nossos caminhos podem parecer contrastantes. Imagino um padre se reencontrando para se confraternizar com um amigo que se tornou ateu ou indiferente religioso. E daí? Vale, nesta hora, a partilha da vida, dos passos firmados, das realizações pessoais conquistadas. Bom seria apenas ficar feliz com a felicidade do outro. E fantasio que de alguma forma estaríamos todos felizes.

Utopias de minhas loucurações. O que espero é que seja o que vier, venha o que vier, qualquer dia, ledores, a gente vai se encontrar, discutir os melhores textos (e os piores também), e dar muita risada juntos. Beijos no coração de cara um.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O MAIS BELO E O MELHOR DOS FARÓIS

eNTÃO...


Ontem amanheci desejoso de ouvir o Hino do Acre. E o fiz. Não sei a razão. Nunca sei, embora de alguma forma sempre saiba. Mas, ledores,  posso afirmar com convicção, o Acre existe. E não tem internet chegando por conexão a cipó. Menos ainda onças e jacarés passeando em praça pública.O que vejo por aqui é um povo simples que protagoniza uma saga de luta e de esperança.

Esperança por estradas que os liguem, primeiro entre si, mas também ao resto do país. Esperança por respeito e reconhecimento vindo dos outros Brasis. Esperança de que o progresso os alcance e lhes traga melhores condições de vida. Esperança de que seu jeito de ser e de viver seja visto não como arcaico ou rural, mas sim como sua idiossincrasia cultural própria.

E para sobreviver com dignidade esse povo luta contra as ameaças de sua incomparável e bela aliada, a floresta amazônica. Luta em seus roçados. Luta em suas casas de farinha. Luta com os motores que os ajudam a subir e descer os rios, ora cheios e ameaçando alagamentos, ora vazados e ameaçando encalhamentos. Sobretudo nos recônditos mais distantes, quase isolados, sem estradas, luta para existir, apesar dos poucos recursos médicos, da falta de medicamentos, e da desatenção dos governos instituídos.

Vejo por aqui essa gente que sabe sorrir, que sabe se divertir, que com pouco sabe ser feliz. Não são indígenas, embora muitos estejam por aqui. Não são cearenses, embora muitos de seus ancestrais tenham vindo do Ceará. São o que são, com a graça de Deus, acrianos. Por fim, creio que o astro, tinto no sangue dos heróis de outrora que com armas conquistaram esse território para a nação brasileira, refulge também do suor, da labuta, do olhar e dos sonhos daqueles ainda hoje defendem essa terra, essa cultura, essa gente, que é gente nossa.

Abraço, ledores.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

PERDAS NECESSÁRIAS

eNTÃO...

Como é difícil traduzir em palavras os sentimentos, não ledores? Vamos tentar.

Quando me deixei trazer para o norte, pensei nas perdas que faria. E, posso não ter jamais mencionado antes, mas refleti muito sobre como seria se alguém que me fosse caro falecesse e eu estivesse tão longe que mal pudesse ficar sabendo. E, creiam, não me foi fácil encarar essa possibilidade e ainda dizer "sim, eu vou".

Concluí que, comigo ou sem mim, as pessoas nasceriam e morreriam de qualquer forma. Acreditei que, comigo ou sem mim, as pessoas que trago no coração teriam as homenagens merecidas se chegasse seu momento de ressurreição. Redescobri minha pequenez e a grandiosidade da vida. Reconheci ser desnecessário no rumo de vida daqueles que amo, para poder livremente entrar no rumo de vida dos que precisaria, não só conhecer, mas aprender a amar.

Sei que estas últimas afirmações são estranhas, porém não encontrei outra forma de dizer que ficar para esperar a morte já seria caminhar para ela. Há muita vida no horizonte. Muitos encontros se me mostravam precisos, e eu sentia a necessidade de fazê-los. Confesso, no entanto, a cada desobriga que enfrento, volto com a mesma tensão: "terá, nesses dias em que estive isolado na beira dos rios, morrido alguém?"

Nesta desobriga a resposta foi afirmativa. E pude viver, não pela primeira vez na missão, o pesar de não estar lá, com minha presença, reafirmando a importância de tais pessoas na minha história de fé. Dói o desejo de dar e receber alguns abraços nessa hora. O por mais sinistro que pareça, faz-me falta ter ajudado a carregar aqueles féretros. Erguê-los e acompanhá-los seria meu jeito simples de dizer "obrigado".

O que pude, fiz. Ofereci minhas missas com gratidão a Deus pelo aprendizado, companheirismo e acolhida que recebi e que estarão para sempre em minha alma. Contudo, não há de que me arrepender. Havia sementes para plantar, não me consegui negar a essa lida. Se estive ausente lá é porque fui presente aqui.

Por fim, lembro os versos da canção: "é possível crescer nesta hora, mesmo quando o que amamos foi embora, a saudade eterniza a presença de quem se foi, com o tempo essa dor se aquieta, se transforma em silêncio que espera, pelos braços da vida um dia, reencontrar!".




quinta-feira, 15 de outubro de 2015

TEMPUS FUGIT

eNTÃO...

Ledores, infelizmente estou sem tempo para escrever. Por isso venho aqui avisar que provavelmente só volte a postar a partir do dia 28 de outubro. Estarei sem internet na próxima semana. E nesta estive bem sem tempo.

Correria danada para que o tempo não vá embora sem que o marquemos de alguma forma. Engraçado como temos certos insights em momentos tão inesperados. Só Deus entende ou explica.

Bem... Perdoem-me pela ausência nesta e na próxima semana. Espero reencontrá-los quando eu voltar. Beijo no coração de todos.