eNTÃO...
Ouço o silêncio. Sim, já tive cavanhaque grandão e cabeça raspada. Metamórfico sou eu.
Entre as condolências ouvidas no velório, uma me fez refletir demais: "Missão cumprida, né?" Eu não esperava por essas palavras. E quem as disse conhecera e acompanhara nossas lutas familiares durante uns trinta anos. Entrei numa viagem louca. Repensei todo o sentido da vida e da morte. Conclui que, na verdade, sabemos muito pouco desses mistérios tão fascinantes!
Por que será que, apesar de tantas vezes nos sentirmos incompreendidos, não sabemos lidar com os incompreensíveis? Não sei responder. Nunca sei! Entendo que nossas vidas poderiam ter seguido o mesmo rumo, porém com uma luz norteadora diferente. Antes de lê-la como uma terrível guerra entre o bem e o mal, poder-se-ia vislumbrar uma incessante guerra entre o amor e o desamor. A diferença é incomensurável.
Dizer que alguém é mau é colocá-lo atrás da trincheira oposta e reconhecer que, merecendo ou não, ele deve receber tiros vindos do meu lado. Dizer que alguém é "desamado" é colocá-lo ao meu lado e reconhecer que, merecendo ou não, ele precisa do melhor de mim. Qual a relação entre isso e os pêsames citados acima? Sei lá... Parece-me haver alguma.
Penso que a missão nos confiada pelo Criador é amar. Seria muito bom poder chegar no velório de alguém e dizer os versos de Vinícius e Jobim, cantados por Gal: "eu amei, e amei, ai de mim, muito mais do que devia amar". Assim se teria a certeza da missão cumprida, e a dor da perda existiria de modo diferente.
Será que me faço entender? Por que será que escrevo tanto sem nada dizer? Aff... Bem que eu podia ser diferente.
Sendo diferente, não seria o senhor, Padre! O nosso Padre Vagner, que na mocidade nos ensina tanto acerca deste não falar quando se fala. Afinal, o não falar nas palavras é interessante, pois, permite ao receptor atento tomar para si uma interpretação própria, uma que o faça se ver na sua vida, Padre. Caso o senhor falasse, nestas palavras, algo pré-feito... preparado, não permitiria aos demais refletirem acerca das próprias palavras que ainda não lhes chegaram à boca, às vezes ainda não brotaram nem mesmo no coração! É por isso, Padre Vagner, que o Senhor fez o senhor ser como é.
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